Depoimentos

Depoimento: Vovó (Maria) Lúcia

E lógico, que do lado do meu pai, está a super avó ajudando…. Hoje é minha melhor amiga, apesar das besteiras que nos falamos às vezes….mas amizade é isso também, né? Amo muito!

Minha crença religiosa já me ensinou que devo perguntar para que? em lugar de por que?

Para que o Guilherme desenvolveu diabetes?

O que todos nós,  que o amamos,  temos que aprender?

Como temos que nos comportar, daqui em diante?

Num primeiro momento, é lógico, ficamos atordoados.

A cada picada no dedinho do Gui,  para medir a taxa de glicemia, o coração da gente se aperta e quer dar o próprio dedo para picar, já que a alma está afundada em dor.

Mas, ele é um bravo e está servindo de exemplo para mim, que sempre reclamei das picadas de dedo que a vida me deu.

No começo da descoberta, ainda no hospital, como a Joana já contou para vocês, ele puxava o dedinho. Mas ontem, antes do almoço, ele é quem abriu a bolsa onde estão guardados todos os apetrechos de teste e olhou para a mão escolhendo o dedo que o avô Celio ia picar.

Confesso a vocês que eu ainda não tive essa coragem que o Célio tem, mesmo que com o coração também apertado, que eu sei que ele não é de ferro.

Em tudo isso tem uma coisa boa. Temos recebido muitas demonstrações de afeto e solidariedade, histórias de pessoas que passaram pelo mesmo problema e que nunca soubemos.

A coragem da Joana em criar esse espaço é elogiável. Desculpem a corujice de mãe, que viu a filha mortificada na UTI do hospital, nas primeiras horas da descoberta e que está feliz que ver que tem uma filha que está sabendo como conviver com tudo isso que está passando. Tenham certeza, é mérito dela e não da educação que teve em casa, por mais que tenhamos nos esforçado para cria-la bem.

Em tudo isso, emoção à parte, há outras vitórias, como por exemplo, ter encontrado o sorvete de chocolate com sucralose, o que foi muito bom, pela a alegria nos olhos do Guilherme quando viu  que a sua sobremesa seria o seu querido sorvete de chocolate. É uma forma de sentirmos que, com o tempo, a nossa vida vai entrar em uma rotina, nosso coração vai-se acostumar com a nova realidade.”




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