Hospital

Na sexta-feira, depois de absorver a ligação da médica do Delboni, fui pra casa preparar as coisas para ir ao Hospital São Luiz. A primeira coisa foi contar para meus pais, que moram no mesmo condominio que a gente e ficam com ele quando não estamos em casa…já foi díficil, nova crise de choro…

Depois fomos na casa de um amigo dele, no prédio, que estava dando uma festinha…Não sei se por já saber do resultado, achei que ele estava extremamente abatido e “molenga”. Depois de banho tomado e mala arrumada (já me preparando para internação), chegamos no hospital por volta das 22h. Quem conhece o São Luiz já pode imaginar que tinham umas 50 crianças na minha frente, mas quando eu disse no balcão que ele estava com desidratação por diabetes recém descoberta, entramos na mesma hora.

Mediram a taxa de glicose e diferente dos 206 da manhã, estava acima de 550 (o aparelho marcava apenas HI, o que indica que está acima do que o aparelho consegue medir!). Aí veio a cena de pânico….3 enfermeirias, 1 médico….soro, tira sangue, tira urina. Sim, era grave. Ele estava em crise, altamente desidratado e por pouco, muiiiito pouco, podeira ter apagado na recepção…por apagado entende-se coma. Anjo da guarda existe pra isso.

E para essa pergunta que estão fazendo agora: mas como chegou nesse ponto, não podia ter visto antes?? A resposta é não. Na verdade, o pâncreas dele estava diminuindo a produção de insulina, lentamente, não tem como saber há quanto tempo, e o corpo só começa a apresentar os sintomas do excesso de urina/aumento de ingestão de água quando chega a aproximadamente 20% de capacidade de produção. Ou seja, estamos isentos de culpa!!

Com esse quadro, deram a notícia de que ele iria para UTI para normalizar o quadro, e garantir o melhor cuidado para este início. Novo baque, novo choro. A palavra UTI me lembra gente entubada, sedada….Ainda bem que cada caso é um caso. Ele só ficou com uns fios no peito, mas era visualmente como se estivesse na enfermaria do PS, com um pouco mais de espcaço.. Apesar da falta de conforto para o visitante, os enfermeiros/médicos foram ótimos, super cuidadosos e atenciosos. Lógico que depois da Medial dar baile na autorização.

Sim, essas primeiras aplicações de insulina são traumaticas, ele urra, pede pra furar o braço da mãe (ninguém manda a enfermeira perguntar em que braço ele quer a injeção!!), mas eu sei que o começo. Depois não vamos usar seringa, e sim uma caneta especial para aplicação, então vamos lá. E foi na UTI que ele começou a se acostumar com a medição, com o tal furinho no dedo (ainda não decorei os nomes de tudo)…

Além dos Doutores da Alegria, ontem recebi a primeira visita de uma endocrinologista que começou a tirar as primeiras dúvidas e a pediatra do Gui é endocrino tb, então será mais fácil..ou menos difícil vai!




E hoje a tarde, viemos para o quarto novo (semi-intensiva), com janela, banheiro e frigobar! Total diferença. Além de visita mais liberada.

E sobre o primeiro dia no quarto…conto já já!

Força, bjos

Hospital

Bom, diário criado…

Hoje é domingo, dois dias depois do descobrimento “acidental” da diabetes no Gui. E já perdi as contas de quantas vezes agradeci por ter sido assim, acidental, sem uma crise mais séria que poderia ter acontecido por esses dias… do jeito que estava desregulado, ele poderia ter tido uma “pane” na sala de espera do hospital.

Há um mês e meio temos notado que ele estava bebendo muito mais água do que o normal e fazendo muito mais xixi também, inclusive acordando várias vezes durante a noite…achei que podia ser algo errado, coisa de mãe, mas depois pensamos que era do calor extremo que tem feito nessa terra.

De repente deu um estalo. Falei com minha mãe e na hora ela disse “vai ver, ta com cara de diabetes”…e meu chefe, que apesar de publicitário, sabe tudo de saúde/doença/remédio, reforçou a previsão. Na quinta-feira, dia 18, falei com a pediatra que conhece ele desde bebê, pediu os exames e fizemos na sexta de manhã…

Foi uma sexta longa, e no final da tarde, ligou uma médica do laboratório, já com a resposta: “seu filho está com excesso de açucar no sangue (taxa de glicemia = 206), mas o mais preocupante (aff, tem mais??) é que ele está com uma alteração séria na urina que indica desidratação, por favor, leve-o URGENTE para o hospital…”

Bom, eu ainda estava na agência e quem me conhece sabe o que aconteceu: eu escutei atentamente a mulher falando, e assim que desliguei, desabei no choro….(a sorte é que trabalho entre amigos e não tenho que me preocupar com aparências!!).

A primeira coisa que veio naminha cabeça, depois de ter lido algumas coisas na internet na própria sexta-feira, foi: meu filho vai ter que tomar injeção todos os dias, para o resto da vida. E na sequência a cabeça continuo produzindo pensamentos instantâneos: Tudo que eu conhecia de rotina normal dos últimos 5 anos, não ia mais existir. Eu não vou aguentar. Medo, impotência, insegurança…

Lógico que agora, depois de mais informação, eu tenho certeza que vou dar contar, que vamos dar conta, porque graças à Deus não estou sozinha: Léo, meus pais, os pais do Léo, nossos irmãos, de sangue e de coração (que são muitos!). E estou decidida a não ter pena do meu filho, mas ter MUITA informação para deixá-lo o mais confortável e feliz possível. E dizem que apesar do controle diário, é vida normal..não que eu ache que alguém aqui tem vida normal, maaaaaas….

Bom, esse foi o começo, e a minha idéia aqui, é contar como será o dia-a-dia, as dúvidas, os aprendizados, as conquistas, pq tenho certeza que os 140 caracteres do Twitter não darão conta!! E como teremos uma rotina forte de controle de números, vou marcando tudo por aqui também.

Sejam bem vindos, obrigada aos inúmeros contatos nesses 2 primeiros dias, foi incrível receber o carinho e a vibração positiva de tanta gente querida.

Força e bjos!